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Comemorando os 500 anos de João Calvino, o teólogo da Reforma, este é um blog dedicado a resumir e comentar as Instituras da Religião Cristã, obra máxima do reformador de Genebra. Que ele seja útil à comunidade, seguindo a mesma intenção de Calvino ao escrever seus livros.

"Este tem sido meu propósito: preparar e instruir de tal modo os candidatos à sagrada teologia, para a leitura da divina Palavra, que não só lhe tenham fácil acesso, mas ainda possam nesta escalada avançar sem tropeços."

Esse blog está sendo desativado. Visite-nos em www.joaocalvino.net

O terceiro mandamento [ 2.8.22 ]

"Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão." (Êxodo 20.7)

A análise do terceiro mandamento traz muitas passagens interessantes, o que nos dará algumas citações mais longas que o usual. Certamente isso será proveitoso para todos nós. Calvino, diferente de muitos cristãos hoje, leva muito a sério a questão do nome de Deus. Toda reverência é necessária para tratarmos de assuntos concernentes ao Criador.

"A finalidade do mandamento é que Deus quer que a majestade de seu nome nos seja sacrossanta. Logo, a suma será que não a profanemos tratando-o com menosprezo e irreverentemente... Dessa forma, assim nos convém estar dispostos no pensar e no falar que nada pensemos ou falemos acerca do próprio Deus e de seus mistérios, a não ser reverentemente e com muita sobriedade, de sorte que, em estimando-lhe as obras, nada concebamos a não ser o que lhe é honroso." (2.8.22, p.148)

Calvino entende que existem três consequências desse mandamento que devem ser colocados em prática. Não podemos tratar com levianidade o Senhor, não podemos manipular sua Palavra para propósitos que não são piedosos, nem desprezar qualquer de suas obras, visto que são fruto de seu poder e sabedoria.

"Tudo quanto a mente concebe a seu respeito, tudo quanto a língua profere, saiba sua excelência e corresponda à sagrada sublimidade de seu nome, afinal, seja adequado a enaltecer-lhe a magnificência. Segundo, não abusemos, temerária e pervertidamente, de sua santa Palavra e de seus venerandos mistérios, seja a serviço da ambição, seja a serviço da avareza, seja a serviço de nossos divertimentos. Pelo contrário, uma vez que trazem impressa em si a dignidade de seu nome, tenham sempre entre nós sua honra e apreço.

Finalmente, não lhe difamemos ou desacreditemos as obras, como contra ele costumam injuriosamente vociferar homens miseráveis; ao contrário, tudo quanto rememoramos como feito por ele, celebremo-lo com os louvores de sabedoria, de justiça e de bondade."
(idem)

Lidar com assuntos concernentes à Divindade é lidar com aquilo que há de mais importante no universo. Os crentes devem tomar consciência disso, em especial. Se eles não têm respeito pela pessoa de Deus, como o mundo tomará consciência dAquele que é santo? Precisamos nos precaver de não cairmos nessa grave falha.

"Nisto consiste santificar o nome de Deus. Quando se procede de outra maneira, de vão e ímpio abuso se polui ele, porque é subtraído do uso legítimo a que unicamente fora consagrado, e, ainda que em nada mais seja despojado, entretanto de sua dignidade se torna desprezível aos poucos." (idem)
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Bênçãos familiares [ 2.8.21 ]

Muitos dos defensores da doutrina da maldição hereditária esquecem-se da segunda cláusula do mandamento, que promete misericórdia para milhares de gerações. Calvino entende aqui uma relação tanto com a educação que os filhos dos justos recebem quanto com as promessas do pacto. Enfim, a graça de Deus atinge a descendência dos fiéis de maneira multiforme.

"Contemplando isto, Salomão escreve que seriam bem-aventurados os filhos dos justos após a morte destes [Pv 20.7], não apenas em razão de sua santa educação, que também ela própria não tem, na verdade, reduzida importância, mas ainda, em decorrência desta bênção prometida no pacto, para que a graça de Deus resida eternamente nas famílias dos piedosos." (2.8.21, p.147)

No entanto, acontece, até frequentemente, de aqueles que vêm de uma família incrédula voltarem-se a Deus. Tudo vem pelo propósito do Senhor e sua graça, e não por uma questão hereditária - seja para o bem, seja para o mal. O importante é não ouvirmos levianamente as exortações do Senhor.

"Nada impede que a descendência dos ímpios por vezes se volte à prática do bem, a descendência dos fiéis degenere, pois aqui não quis o Legislador fixar uma regra perpétua que anulasse sua eleição. Ora, para conforto do justo e terror do pecador, é suficiente que ela não seja uma declaração vã ou ineficaz, embora nem sempre tenha lugar." (idem)

A conclusão que o reformador chega é a seguinte: ao salvar o filho dos justos Deus mostra sua graça e cuidado com os justos. Ao reprovar o ímpio, ele apresenta seu justo juízo sobre aqueles que seguem esse caminho. Aprendemos com isso a vivermos e educarmos nossos filhos nos caminhos do Senhor. E, principalmente, a confiarmos somente nessa misericórdia milenar de Deus.

"Ademais, recomenda-nos, de passagem, a grandeza de sua misericórdia, que estende por mil gerações, quando somente quatro gerações reservara à punição." (idem)
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Maldição hereditária? [ 2.8.19-20 ]

"Porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos." (Êxodo 20.5,6)

Como foi dito, Calvino agora trata da questão do castigo sobre as gerações no segundo mandamento. Para o reformador, a promessa de castigar filhos pelos pecados dos pais não combina com a justiça divina, como nos ensina Ezequiel 18.20, por exemplo. No entanto, o mandamento faz essa afirmação estranha e devemos tratar dela.

"A justa maldição do Senhor pesa não apenas sobre a cabeça do ímpio, mas também sobre toda sua família. Onde esta maldição pesou, que se pode esperar, senão que o pai, destituído do Espírito de Deus, vive mui abominavelmente, e o filho, semelhantemente abandonado pelo Senhor por causa da iniqüidade do pai, segue o mesmo caminho de perdição? Finalmente, o neto e o bisneto, execrável semente de homens abomináveis, após eles se lancem em precipícios?" (2.8.19, p.146)

No entanto, o reformador entende que, mesmo nessa situação, Deus sobressai-se como justo. Se os filhos caem nos mesmos pecados dos pais, é porque eles também se desviaram do Senhor. Deus, de forma justa, retirou sua mão graciosa de suas vidas, mantendo-se santo, a despeito dessa punição. De qualquer maneira, o Senhor não tem obrigação de salvar qualquer homem.

"Perecem por sua própria iniqüidade, não por ódio iníquo de Deus. Nem lhes é deixada qualquer desculpa por que à salvação não são ajudados pela graça de Deus a exemplo de outros. Portanto, uma vez que esta punição é aplicada aos ímpios e depravados em vista de suas abominações, assim que suas casas sejam privadas da graça de Deus por muitas gerações, quem haja de intentar incriminação a Deus por causa desta justíssima represália?" (2.8.20, p.146)

Ainda assim, Calvino entende que é possível, em certo sentido, que a descendência leve a culpa do pai. Porém, isso acontece somente quando, em sua impenitência, os filhos insistem em seguir o caminho de seus precursores, mantendo sobre si o quer seriam "maldições" da família, embora eles mesmos também as mereçam.

"Se a visitação da qual agora se fala é aplicada quando o Senhor retira da família dos ímpios a graça, luz de sua verdade e os auxílios restantes para salvação, é porque, cegados e afastados d'Ele, os filhos insistem em seguir as pegadas dos pais, sustentando as maldições dos crimes paternos. Sendo prontamente subjugados, por um justo juízo de Deus, tanto às misérias temporais quanto à ruína eterna, não são punidos pelos pecados alheios, mas pela própria iniquidade." (2.8.20, p.366s, edição da UNESP)

Vemos, portanto, que o ensino de Calvino sobre esta cláusula do segundo mandamento é muito mais satisfatório que as idéias propostas principalmente por líderes neopentecostais. Deus não é injusto e fará sofrer alguém alcançado pela sua graça. Somente famílias que perpetuam a impiedade receberão continuamente a punição divina.
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O segundo mandamento [ 2.8.17-18 ]

"Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto." (Êxodo 20.4,5)

Se o primeiro mandamento tratava sobre a natureza única de Deus, o segundo fala em especial sobre que culto deveria ser dedicado a ele. Calvino entende o mandamento como uma declaração de que toda forma material acaba diminuindo a glória de Deus. Deus é espírito e não tem uma imagem que algum humano possa conceber.

"Neste mandamento declara ainda mais explicitamente agora de que natureza é, e com que modalidade de culto deve ser ele honrado, para que não ousemos atribuir-lhe algo sensório... ele nos dissuade e afasta totalmente das observâncias materiais insignificantes que nossa mente bronca, em razão de sua ignorância, costuma inventar quando concebe a Deus. E daí nos instrui em relação a seu legítimo culto, isto é, ao culto espiritual e estabelecido por ele mesmo. Assinala, ademais, o que é o mais grosseiro defeito nesta transgressão: a idolatria exterior." (2.8.17, p.144)

Novamente o reformador usa a imagem de um casamento para ilustrar a quebra de um mandamento. Falando sobre o divino castigo àqueles que fabricam imagens, ele entende que a ira de Deus assemelha-se à de um marido que descobre a traição de sua esposa. Por isso existe ameaça de grave julgamento sobre a família que se envolver nesse tipo de culto.

"Portanto, como um marido, quanto mais santo é e casto, tanto mais gravemente se ofende ao ver o coração da esposa a inclinar-se para com um rival, assim o Senhor, que verdadeiramente nos desposou para si, evidencia ser muito ardente sua inconformidade, sempre que, desdenhada a pureza de seu santo matrimônio, somos manchados de apetites impuros." (2.8.18, p.145)

O tema da ira divina será tratado especialmente nas próximas seções. É importante destacar o entendimento de Calvino sobre essa mandamento, em relação ao primeiro. Para o reformador, mais grave que a idolatria, é manchar o culto a Deus com imagens deste pecado.

"Mas, então isto sente especialmente o Senhor, quando oferecemos a outro o culto de sua divina majestade, que conviera ser absolutamente ilibado, ou o corrompemos com alguma superstição, uma vez que, deste modo, não só violamos o compromisso feito no casamento, mas ainda, acenando aos amantes, maculamos o próprio leito conjugal." (idem)

Esse mandamento é um apelo para que tenhamos cuidado com o tipo de culto que dedicamos ao Senhor. Mesmo hoje os protestantes e evangélicos não estão isentos de cair nesse erro. Precisamos questionar todo tipo de prática que dá mais ênfase ao que é ilustrado por homens que àquilo que é descrito na Palavra. Peçamos que o Espírito Santo nos ilumine em nossas falhas.
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O primeiro mandamento [ 2.8.16 ]

"Não terás outros deuses diante de mim." (Êxodo 20.2,3)

Sobre cada mandamento, Calvino tem muito a dizer. Por isso, parece-nos necessário dedicar apenas um post à seção em que ele explica o primeiro preceito do Decálogo. Diz-nos o Senhor que não podemos dar a outro aquilo que só a ele pertence.

"O fim deste mandamento é que Deus quer ser o único a ter a preeminência em seu povo e nele exercer seu direito em plena medida... não podemos ter Deus sem que, ao mesmo tempo, abracemos as coisas que lhe são próprias. " (2.8.16, p.142)

Por trás de uma ordem simples, o reformador encontra os mais diversos princípios. Aqui, por exemplo, encontramos importantes coisas que devemos dedicar apenas a Deus. Calvino lista 4 delas: adoração, confiança, invocação e ação de graças.

"Chamo adoração a veneração e o culto que qualquer um de nós lhe rende, quando se lhe submete à grandeza. Por isso, não improcedentemente, incluo à adoração a submissão de nossa consciência à sua lei. Confiança é a segurança de nele descansar, em virtude do reconhecimento de seus predicados, quando, atribuindo-lhe toda sabedoria, justiça, poder, verdade, bondade, reconhecemos que somos bemaventurados somente em sua comunhão. Invocação é o recurso de nossa mente à sua fidelidade e assistência, como ao sustentáculo único, sempre que alguma necessidade insiste. Ação de graças é a gratidão com que se lhe atribui o louvor de todo bem." (idem)

Tudo isso deve ser entregue somente a Deus e mais ninguém. Note a importância que Calvino dá ao cumprimento da Lei do Senhor como forma de adoração, algo tão esquecido hoje em dia. É preciso que sempre examinemos nossas mentes se quisermos ser verdadeiros adoradores. Um homem que confia em sua força, que agradece ao dinheiro, depende só do Estado ou é motivado pela aprovação da sociedade pode estar erigindo falsos deuses. Estamos sempre diante do Senhor, algo que Calvino chama atenção com a ilustração do matrimônio.

"A frase que segue, diante de minha face, intensifica a indignidade, pela qual Deus é provocado ao ciúme sempre que em seu lugar pomos nossas invenções, tal como se uma esposa despudorada, trazido escancaradamente o amante diante dos olhos do marido, mais lhe incendesse o ânimo... não se podem admitir novas deidades sem que seja ele testemunha e observador de seu sacrilégio. Mas, a esta petulância acrescenta-se o máximo de impiedade, a saber, que, em seus desvios, o homem julga poder burlar os olhos de Deus." (2.8.16, p.143)

Que nossos corações entreguem somente ao Senhor aquilo que é dele. Que ele seja nossa motivação, nosso porto seguro, nosso braço forte. Por fim, que não sejamos ingratos.
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O prefácio do Decálogo [ 2.8.13-15 ]

"Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim." (Êxodo 20.2,3)

O primeiro mandamento inicia-se com a apresentação de quem é o Legislador. Para alguns estudiosos, isso funciona como todo pacto suserano-servo, existe uma clásula apresentando o governante, seus distintivos e o relacionamento histórico. Calvino entende como uma argumentação que confere maior autoridade à Lei, caso o povo tente esquecer quem a outorgou.

"A si reivindica o poder e o direito de soberania a fim de que constrinja o povo eleito pela necessidade de obedecer-lhe. Exara a promessa de graça, mercê de cuja doçura alicie o mesmo ao zelo de santidade. Traz à lembrança o benefício conferido, para que acuse aos judeus de ingratidão, caso não lhe respondam à benignidade." (2.8.13, p.140)

Um resumo das palavras de Deus seriam, para Calvino, “eu vos escolhi para mim por povo, a quem houvesse de beneficiar não apenas na presente vida, mas ainda houvesse de prodigalizar a bem-aventurança da vida futura” (2.8.14, p.140). A afirmação de ser o Senhor lembra que ele é soberano e a "teu Deus" frisa o amor divino e a verdade da eleição. A lembrança da libertação do Egito enche o coração do desejo de agradecer-lhe por meio da obediência.

"Tão logo o nome de Deus é referido, nossa mente não pode deixar de cair em alguma vã invenção. Portanto, visto que Deus quer propiciar remédio a este mal, adorna ele sua divindade de títulos seguros, e dessa forma nos cerca como que de determinadas cercas, para que não vaguemos para cá ou para lá, e desatinadamente inventemos para nós algum Deus novo, se deixado de parte o Deus vivo suscitemos um ídolo em seu lugar."(2.8.15, p.141)

Essa lembrança da libertação realizada por Deus não apenas servia para que os israelistas fossem levados à submissão, mas também nos lembra que fomos libertos do poder do mal por este mesmo Senhor. Que nos lembremos dessa verdade diante de tentações.

"Não deve haver homem algum, cujo coração não se sinta inflamado ao atentar para a lei, promulgada por aquele que é Rei de reis e supremo Monarca, de quem todas as coisas procedem, e para as quais justamente devem ordenar-se e dirigir-se a seu fim. Ninguém, afirmo, há que não deva ser arrebatado a abraçar o Legislador, à observância de cujos mandamentos é ensinado ter sido escolhido de modo especial; de cuja bondade espera não somente a abundância de todas as coisas boas, mas ainda a glória de uma vida imorta1; de cujo admirável poder e misericórdia se sabe muito bem ser libertado das fauces da morte." (2.8.15, p.141s)
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As duas tábuas [ 2.8.11-12 ]

Antes de finalmente iniciar a exposição dos Dez Mandamentos, o reformador ainda dedica algumas linhas sobre a natureza das duas tábuas da Lei. Seguindo tradição que passa por Orígenes e Agostinho, ele entende que na primeira tábua temos os mandamentos a respeito de Deus e na segunda aqueles que se referem aos homens. Para Calvino, a explicação é claro: não podemos praticar a verdadeira justiça sem o verdadeiro culto a Deus.

"A religião não só lhe é a parte principal, mas até mesmo a própria alma da retidão, mercê da qual toda ela tem alento e possui vigor, pois, fora do temor de Deus, nem conservam os homens entre si a eqüidade e a afeição. Conseqüentemente, chamamos ao culto de Deus o princípio e fundamento da justiça... Dizemo-lo, ademais, ser a fonte e o espírito da retidão, porquanto, se honram a Deus como o Juiz do reto e do iníquo, dele aprendem os homens a viver entre si moderadamente e sem malefício." (2.9.11, p.138)

Para aqueles que tem um mínimo conhecimento da Escritura, o paralelismo está claro. Essa ordem dos mandamentos faz jus ao que Cristo diz sobre aqueles que são o resumo da Lei do Senhor.

"Por essa razão, nosso Senhor, como o registram os evangelistas [Mt 22.37, 39; Mc 12. 30, 31; Lc 10.27], coligiu toda a lei, sumariamente, em dois itens: que amemos a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todas as forças, e que amemos ao próximo como a nós mesmos. Vês que das duas partes em que encerra toda a lei, uma ele a dirige para com Deus, a outra ele destina aos homens." (idem)

É importante termos essa verdade em mente. Não podemos nos enganar com atos de justiça que não têm como base a genuína adoração. "O primeiro fundamento da justiça é o culto de Deus", nos diz Calvino (2.8.11, p.137). Que nossos corações gravem essas palavras enquanto estudamos os Dez Mandamentos nas próximas seções.

"Ouçamos agora Deus mesmo a falar com suas próprias palavras." (2.8.12, p.139)
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